Visão em risco no MMA: médico de Charles do Bronx propõe novo protocolo após caso Aspinall
Durante anos, lesões nos olhos passaram quase despercebidas no MMA, já que fraturas e cortes sempre foram o foco principal. Mas isso mudou depois do problema sério enfrentado por Tom Aspinall, atual campeão peso-pesado do UFC. Com o tema em alta, o oftalmologista brasileiro Cavalcanti Jr defende mudanças urgentes na forma como essas lesões são avaliadas dentro do octógono.

Responsável por cuidar da visão de atletas como Charles Do Bronx e Norma Dumont, o médico afirma que o MMA precisa contar com oftalmologistas nas equipes médicas dos eventos. Segundo ele, traumas oculares vão de cortes simples até casos extremos, como o de Michael Bisping, que perdeu a visão de um olho.
“A oftalmologia é diferente da ortopedia. Com inchaço na pálpebra, por exemplo, fica muito difícil avaliar o olho de forma correta”, explicou.
Novo protocolo em pauta
Cavalcanti Jr revelou que já desenvolveu um protocolo específico para situações como dedadas nos olhos, comuns mesmo sendo golpes ilegais. A ideia é usar exames portáteis dentro do octógono e ter uma avaliação técnica em poucos minutos, evitando decisões apressadas que podem encerrar uma luta sem necessidade ou, pior, colocar a saúde do atleta em risco.
“Hoje quem avalia geralmente não é especialista. Com esse protocolo, daria para dizer com segurança se o atleta tem ou não condição de seguir”, afirmou.
O drama de Tom Aspinall
O debate ganhou força após o caso de Aspinall, que sofreu dedadas do desafiante Ciryl Gane. A luta terminou em no contest, mas o maior problema veio depois. O campeão não teve lesões em estruturas vitais do olho, porém desenvolveu uma inflamação no tendão de um músculo responsável pelo movimento ocular.
O resultado foi visão dupla, perda de percepção periférica e queda na nitidez visual. Segundo o médico, o cérebro começa a “desligar” o olho afetado para se proteger, o que agrava o quadro com o tempo.
A recuperação ainda é uma incógnita. Tratamentos com corticoide e até cirurgia estão sendo considerados, mas qualquer decisão exige cautela. Para Cavalcanti Jr, só entre seis meses e um ano será possível saber se Aspinall consegue voltar a lutar em alto nível.
Algo precisa mudar
Apesar de muitos sugerirem mudanças nas luvas, o oftalmologista não vê isso como solução principal. Para ele, o essencial é melhorar o protocolo médico e a avaliação especializada. No fim das contas, há um consenso: do jeito que está, a saúde ocular dos lutadores segue em risco, e o MMA precisa evoluir rápido nessa área.