Da briga por um lápis ao maior palco do grappling: a jornada absurda de Teshya Noelani Alo
Tem histórias que parecem roteiro de filme. A de Teshya Noelani Alo é uma delas.
A chegada da lutadora ao ONE Championship não aconteceu do dia pra noite. Foi construída ao longo de uma vida inteira mergulhada em wrestling, judô e, mais tarde, no jiu-jitsu brasileiro.
Na sexta-feira, 23 de janeiro, Alo pisa no maior palco da carreira no ONE Fight Night 39: Rambolek vs. Dayakaev, em um duelo de grappling peso-galo contra a jovem sensação americana Helena Crevar, de apenas 18 anos.

O detalhe que deixa tudo ainda mais pesado? Crevar foi simplesmente a primeira adversária da carreira de Alo, lá atrás, em um torneio no-gi. Anos depois, o destino tratou de cruzar os caminhos das duas de novo. Só que agora, sob os holofotes globais.
Tudo começou em casa… e por causa de um lápis
Criada em Honolulu, na ilha de Oahu, Teshya cresceu em uma família grande e unida, sendo a mais velha de seis irmãos. O primeiro “treino” não foi em academia nenhuma.
Segundo ela, tudo começou após uma briga infantil com a irmã.
“Minha irmã e eu estávamos brigando por um lápis da Hello Kitty.
Meu pai lutou wrestling no ensino médio e falou: ‘Isso parece wrestling’.”
O pai não perdeu tempo. Colocou as filhas em aulas e começou a ensinar quedas em casa.
Um slam mudou tudo
Logo no primeiro torneio, veio o choque de realidade.
“Minha irmã ganhou, mas eu levei um slam.
Fiquei em segundo lugar e comecei a chorar.”
O golpe foi feio. Um garoto mais forte a jogou de cabeça no chão. O pai perguntou se ela queria parar. A resposta veio na hora.
“Eu pensei: ‘Eu preciso vencer esse garoto de volta’.”
E foi exatamente isso que ela fez.
“Treinei pra caramba, voltei e venci ele.
Depois fui para o nacional… comecei a ganhar estaduais, nacionais, internacionais. E nunca mais parei.”
Antes do jiu-jitsu, um currículo monstruoso
Antes mesmo de se dedicar ao BJJ, o currículo de Alo já era coisa de elite:
4 títulos estaduais no wrestling escolar
Campeã nacional de freestyle pela USA Wrestling
Campeã mundial cadete pela FILA
Vários ouros no Judô Junior Olympic
Ouro Pan-Americano
Tudo isso antes do jiu-jitsu virar o foco principal.
O judô ficou pra trás… por causa das regras
Apesar do sucesso, o judô começou a perder sentido para ela.
“As regras estavam mudando muito, tirando ataques de perna.
Eu pensei: ‘Ok, estou fora. Eu preciso das minhas pernas’.”
O amor pelo jiu-jitsu nasceu na pandemia
Durante a pandemia da COVID-19, o jiu-jitsu entrou na vida dela quase por acaso.
“Eu vi um cara ensinando jiu-jitsu na praia…
Minha mãe me inscreveu. Fui no primeiro dia e me apaixonei.”
Desde então, a evolução foi absurda. Só em 2025, Alo conquistou três títulos do ADCC Open, se consolidando como um dos nomes mais perigosos do grappling feminino.
Reencontro no maior palco possível
Agora, o destino coloca Helena Crevar novamente no caminho dela. Só que dessa vez, no ONE.
“Eu estou basicamente vivendo um sonho.
Estou muito animada para essa luta.”
De uma briga por um lápis até o maior evento de grappling do planeta. A história de Teshya Noelani Alo é daquelas que lembram por que a gente ama esporte de combate.